Étienne Lenoir


Se Roger Bacon foi o profeta que sonhou com o automóvel e Nicolas-Joseph Cugnot foi o pioneiro que domesticou o vapor, Jean Joseph Étienne Lenoir foi o homem que finalmente colocou o fogo dentro da máquina. 

Nascido em 1822, em Mussy-la-Ville, na Bélgica (embora tenha feito sua carreira na França), Lenoir era um inventor autodidata que não se contentava com o gigantismo desajeitado das máquinas a vapor da época.

Ele viria a morrer em 1900, em La Varenne-Saint-Hilaire, na França, após ter alterado permanentemente a trajetória da engenharia mecânica.


Lenoir foi o responsável por dar ao automóvel o que ele mais precisava para se tornar prático: um coração compacto, potente e de resposta rápida.

O grande marco de Lenoir ocorreu em 1860, quando ele patenteou o primeiro motor de combustão interna comercialmente bem-sucedido. 

Enquanto Cugnot precisava de uma caldeira externa gigantesca para ferver água e gerar pressão, Lenoir teve uma ideia que parecia heresia tecnológica: ele trouxe a explosão para dentro do cilindro.


O motor de Lenoir não usava gasolina, mas sim gás de iluminação (gás de carvão) misturado com ar. Diferente dos motores modernos de quatro tempos, o motor de Lenoir era de dois tempos. O gás e o ar eram aspirados para dentro do cilindro, onde uma centelha elétrica (criada por uma bateria e uma bobina de indução) causava uma explosão controlada, empurrando o pistão.

Ele foi um dos primeiros a utilizar um sistema de ignição elétrica, antecipando em décadas o conceito das velas de ignição que usamos hoje. Tinha autonomia de ignição.

Diferente de seus predecessores, Lenoir não queria apenas uma máquina fixa para fábricas. Em 1862, ele instalou uma versão de seu motor em um veículo de três rodas que batizou de Hippomobile. Ele queria o carro nas ruas.

O Primeiro Teste Real foi em 1863. Lenoir dirigiu o Hippomobile de Paris a Joinville-le-Pont. Ele percorreu cerca de 11 quilômetros em três horas.

Embora fosse lento, o veículo provou a visão de Roger Bacon sobre a “autopropulsão” de forma muito mais eficiente que o vapor. Não havia necessidade de carregar toneladas de água; a força vinha da expansão imediata dos gases. Existia uma tração independente.

Apesar do brilhantismo, Lenoir enfrentou o mesmo “inimigo” que Guido da Vigevano e Leonardo da Vinci: a eficiência térmica e o atrito.

Como o motor explodia gás constantemente, ele esquentava de forma alarmante. Lenoir teve que desenvolver sistemas rudimentares de arrefecimento a água para evitar que o metal derretesse.


O motor consumia muito combustível e aproveitava apenas cerca de 4% a 5% da energia gerada. Em comparação, a visão de Leonardo da Vinci sobre molas era mais eficiente em escala minúscula, mas o motor de Lenoir tinha o “músculo” necessário para o trabalho pesado.

Étienne Lenoir provou que o motor de combustão interna era viável, seguro e capaz de substituir a força animal sem o peso morto das caldeiras.


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