Charles e Frank Duryea
Falemos de dois sujeitos chamados Charles Duryea, que nasceu em 1861, e seu irmão Frank Duryea, nascido em 1869, em Illinois, nos Estados Unidos. Filhos de agricultores, eles trocaram o campo pela oficina mecânica, focando inicialmente na fabricação de bicicletas, que era a tecnologia de ponta da época. Eles viriam a falecer em 1938 e 1967, respectivamente, após terem fundado a primeira empresa a fabricar e vender carros com motor a gasolina na América: a Duryea Motor Wagon Company.
Diferente de Karl Benz, que operava em um ambiente de engenharia puramente científica na Alemanha, os irmãos Duryea representavam o espírito pragmático e competitivo americano. Eles não queriam apenas construir uma máquina que funcionasse; eles queriam uma máquina que fosse rápida o suficiente para vencer corridas e robusta o suficiente para as estradas precárias do Novo Mundo.
O grande marco dos irmãos ocorreu entre 1893 e 1895.E m 1893, em Springfield, Massachusetts, eles colocaram nas ruas o seu primeiro veículo: uma carruagem adaptada com um motor de um cilindro e quatro tempos.
Frank Duryea era o mestre da mecânica prática, enquanto Charles era o visionário e promotor do negócio.
Em 1895, eles fundaram formalmente a sua companhia, a primeira dedicada exclusivamente à produção em série de automóveis a gasolina nos EUA.
No mesmo ano, Frank venceu a primeira corrida de automóveis da América, a Chicago Times-Herald, enfrentando uma nevasca e provando que o carro era mais resistente do que qualquer cavalo sob condições extremas.
Os Duryea resolveram uma questão logística que atormentava os planos de Guido da Vigevano e os testes de Cugnot: a confiabilidade em terrenos irregulares. Eles introduziram sistemas de ignição e carburadores que permitiam ao carro enfrentar as variações térmicas e de inclinação das ruas americanas, algo que a “carruagem a vapor” de Cugnot, com seu peso excessivo, jamais conseguiria.
A vitória dos Duryea nas corridas foi a prova física da “rapidez incrível” que Roger Bacon previu no século XIII. Enquanto Bacon falava de inestimabilis velocitas no papel, os Duryea entregaram essa velocidade sob os olhos do público, transformando o automóvel de uma “curiosidade perigosa” em um objeto de desejo e competição.
Se Daimler foi o mestre da motorização universal, os irmãos Duryea foram os pioneiros da viabilidade comercial americana. Eles pegaram o “ritmo” de Otto e a “autonomia” de Benz e os testaram no fogo da competição, abrindo caminho para que, anos depois, Henry Ford pudesse colocar o mundo inteiro sobre rodas. Eles provaram, como Leonardo da Vinci acreditava, que a experimentação prática é a única forma de validar a verdade da matemática.




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